Porquê? O quê? Como?
O primeiro artigo deste blog responde às três perguntas que se devem fazer a qualquer iniciativa nova. Sem rodeios.
Porquê?
Quem trabalha em tecnologia vive um momento estranho. As ferramentas de Inteligência Artificial dão-nos hoje uma capacidade de construir que não existia há três anos. O que pedia semanas faz-se em horas. Com o mesmo tempo e as mesmas pessoas, consegue-se entregar muito mais.
As empresas perceberam isto depressa. Integram IA nos processos, nos produtos. Não há mal nenhum nisso: é o trabalho delas.
Mas há uma parte da sociedade que ficou de fora: as organizações que existem para ajudar pessoas. Associações, fundações, organizações sem fins lucrativos. Equipas pequenas, orçamentos apertados, e horas gastas em tarefas que a tecnologia podia resolver em minutos. Não têm acesso a estas ferramentas, ou não têm quem as saiba aplicar, e não têm como pagar a quem sabe.
Esta desigualdade não é técnica. É de prioridade. E a prioridade, essa, podemos nós dar.
É por isso que existe o AImpact.
O quê?
O AImpact é um colectivo voluntário de profissionais de tecnologia. Construímos ferramentas e optimizamos processos para organizações sem fins lucrativos em Portugal. Não cobramos. Não vendemos. Não há contrapartida escondida.
Na prática, fazemos três coisas:
Construímos soluções que tornam os processos mais eficientes e a comunicação mais simples: relatórios, triagem de pedidos, organização de informação, o trabalho burocrático que consome as horas de quem devia estar a cuidar de pessoas.
Optimizamos fluxos de trabalho onde a tecnologia pode poupar tempo, dinheiro e desgaste. Às vezes a resposta nem é IA, é um processo mais simples. Não vamos meter IA num problema só para dizer que metemos.
Partilhamos publicamente o que construímos e o que aprendemos, para que outras organizações possam replicar sem depender de nós.
E somos realistas. Nem todos os problemas têm solução com tecnologia, e nem tudo o que nos pedem conseguimos fazer. Quando não pudermos ajudar, dizemos. Quando pudermos, fazemos com tudo o que temos.
Como?
Tempo de voluntários e tempo de organizações são ambos escassos. Para não desperdiçar nenhum dos dois, todos os projectos seguem o mesmo processo, em seis etapas.
Começa com uma candidatura: um formulário de cinco minutos no nosso site. Segue-se a triagem, em que respondemos com uma estimativa honesta de quando vamos analisar o pedido. Depois, uma conversa de 30 a 60 minutos para perceber o problema a fundo. Com isso, fazemos uma análise de viabilidade: decidimos por consenso se conseguimos construir algo útil em tempo razoável. Se sim, formalizamos numa Carta de Compromisso o que vamos fazer, e tão importante como isso, o que não vamos fazer. No fim, a entrega e handover: a solução em produção e tudo o que a organização precisa para a gerir sozinha.
É também na Carta de Compromisso que ficam descritos eventuais custos de funcionamento da solução, como o alojamento das aplicações. Não são custos nossos nem receita nossa: são custos da infra-estrutura onde a solução vive. Tentamos sempre optimizar para que sejam zero, mas há situações em que não é possível. Nesses casos, a organização sabe exactamente com o que conta antes de avançar.
Em cada etapa, os mesmos princípios: transparência sobre prazos, decisões por consenso, e privacidade e dignidade presentes em cada escolha, não acrescentadas no fim.
E agora?
Se lideras uma organização sem fins lucrativos e a tua equipa está saturada de tarefas que a tecnologia podia simplificar, candidata a tua organização. Leva cinco minutos.
AImpact. Where AI meets purpose.